Golpista de luxo é acusado de desviar R$ 40 milhões com falsas promessas de investimentos

Um estilo de vida luxuoso para impressionar e iludir

João Eustáquio de Almeida Júnior, de 46 anos, é acusado de aplicar um esquema milionário de estelionato usando uma imagem cuidadosamente construída de empresário bem-sucedido. De acordo com vítimas, ele usava carros importados, helicópteros, jatinhos e mansões para convencer pessoas a investirem grandes quantias em negócios que nunca se concretizavam. Estima-se que o prejuízo total chegue a R$ 40 milhões.

O início do golpe: promessas de lucros exorbitantes

Vinícius Rodrigues e Bárbara Mendes, um casal de Atibaia (SP), conheceram João durante a pandemia. Ele os atraiu com a promessa de multiplicar o dinheiro deles por dez em um empreendimento imobiliário em Gramado (RS). O suposto empresário apresentava vídeos, maquetes e documentos assinados por empresas renomadas. Com o tempo, o casal fundou a empresa Fruivitta para captar novos investidores e convenceu dezenas de pessoas a participarem do negócio, incluindo os próprios pais de Vinícius.

Pais perderam casa e dignidade

Seu Arlindo e dona Gisélia, pais de Vinícius, venderam a casa em Belo Horizonte e entregaram todas as economias para João. O empresário prometeu pagar aluguel para a família até o retorno do investimento, mas parou após alguns meses. Seu Arlindo, doente e desiludido, faleceu pouco depois. A dívida, hoje, está no nome de Bárbara e Vinícius, que enfrentam mais de 30 processos e tiveram que se mudar 20 vezes, em um ano, com seus três filhos.

Celebridades e familiares também enganados

A cantora Carolina Cândido, também de Belo Horizonte, conta que foi envolvida por João com promessas de uma vida luxuosa. Convenceu-a a vender o carro, mudar-se para Florianópolis e ajudá-lo a captar investidores no meio musical. Sua mãe, dona Eliane, também foi vítima: vendeu o único bem que possuía e hoje vive de favor. A dívida acumulada em nome de Carolina ultrapassa R$ 2 milhões.

Fazenda em Itapetininga: o golpe final

João Eustáquio chegou a ocupar por cinco meses uma fazenda de 300 hectares em Itapetininga (SP), vendendo o rebanho de gado e maquinário por valores abaixo do mercado. O proprietário, o advogado Eli Alves da Silva, registrou queixa na Polícia. Segundo ele, João vendeu até um trator avaliado em R$ 300 mil por apenas R$ 70 mil.

Silêncio e investigações

Procurado pela equipe do Domingo Espetacular, João Eustáquio não quis se manifestar. Um advogado ligado a ele também recusou dar entrevista. O Ministério Público de São Paulo solicitou à Polícia Federal informações sobre possíveis investigações em curso contra João e a empresa Fruivitta.

Para as dezenas de vítimas, o golpe causou não apenas perdas financeiras, mas também traumas emocionais profundos. Enquanto aguardam por uma resposta da Justiça, o paradeiro exato de João Eustáquio e o destino do dinheiro captado continuam sendo um mistério.