Um dos rostos mais marcantes das novelas da Globo entre os anos 1990 e 2000, Victor Fasano (67) completa em 2025 uma década longe das produções televisivas. Aos 67 anos, o ator — que ficou conhecido por personagens fortes em tramas de Glória Perez (77) — afirma que a decisão de se afastar da TV foi motivada por um desgaste pessoal profundo. “Eu estava sofrendo”, resumiu.
Nascido em São Paulo, em 2 de setembro de 1958, Victor Fasano iniciou a carreira ainda adolescente, como modelo, em 1976. Nos anos 1980, tornou-se um dos principais nomes da moda masculina no país antes de migrar para a televisão. A estreia como ator aconteceu em Barriga de Aluguel (1990), na Globo, já como protagonista, papel que o projetou nacionalmente como galã.
Ao longo da carreira, Fasano construiu uma relação estreita com a obra de Glória Perez, participando de seis produções da autora — cinco novelas (Barriga de Aluguel, De Corpo e Alma, O Clone, América e Caminho das Índias) e a minissérie Amazônia, de Galvez a Chico Mendes. Também esteve em tramas de outros autores consagrados, como Salsa e Merengue e Torre de Babel. Fora da Globo, integrou novelas do SBT e da Record, onde fez seu último trabalho na televisão, na série Conselho Tutelar, em 2016.
‘Angústia’
Foi justamente após esse período que o ator percebeu que algo não ia bem. Em entrevista concedida em 2025, Fasano relatou que passou a sentir crises de angústia durante as gravações. “Eu começava a suar no estúdio, sentia uma angústia, achava que não conseguiria nem falar o texto. Gravava e, no dia seguinte, tudo se repetia”, contou. Segundo ele, apesar de conseguir cumprir as cenas, o sofrimento era diário. “O Victor Fasano entrava e fazia. Mas o Vitinho estava sofrendo.”
A constatação de que o corpo já não reagia bem à rotina foi determinante para a decisão de parar. “Percebi que meu corpo estava rejeitando aquela mesmice. Aquilo já não me interessava mais”, afirmou. Mesmo afastado, ele faz questão de destacar o orgulho da trajetória construída. “Foi uma carreira sólida. Eu adorava o que fazia, sempre estudei muito, sempre trabalhei com prazer.”
Ativismo ambiental
Desde então, Fasano passou a se dedicar quase integralmente ao ativismo ambiental — área em que atua há décadas e pela qual é reconhecido nacional e internacionalmente. Ele é sócio fundador de projetos voltados à preservação de espécies ameaçadas, restauração de florestas e reintrodução de animais na natureza, além de integrar iniciativas ligadas à ONU e à conservação da Amazônia. Em 2012, recebeu títulos simbólicos concedidos por etnias indígenas, que o reconhecem como protetor das florestas.
Apesar de dizer que não tem planos de retornar à atuação, o ator não descarta completamente a possibilidade. “Não tenho intenção de voltar a atuar. Mas vai que cai na minha mão uma coisa fantástica…”, ponderou.
Justiça
No final do ano passado, o nome de Victor Fasano voltou a ganhar espaço no noticiário por conta de uma disputa judicial envolvendo a Globo. Em 2025, ele entrou com uma ação questionando o uso de sua imagem na reexibição da novela O Clone em plataformas de streaming, alegando que esse tipo de exibição não estava previsto no contrato original. O processo, no entanto, foi extinto pela Justiça em dezembro, após a magistrada entender que o ator não apresentou os valores nem os critérios necessários para o prosseguimento da ação.
Mesmo longe das novelas há uma década, Victor Fasano segue como uma figura que desperta interesse — seja pela trajetória marcante na teledramaturgia brasileira, seja pela guinada definitiva em direção a causas ambientais, longe dos estúdios e dos holofotes que marcaram sua imagem por tantos anos.
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